Diante das crises socioambientais contemporâneas, a Educação Ambiental (EA) assume papel estratégico na formação universitária. Neste estudo, buscou-se investigar a integração da EA nos currículos de graduação, as concepções de docentes e as práticas pedagógicas associadas na Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Trata-se de uma pesquisa qualitativa com suporte quantitativo. A coleta de dados ocorreu entre dezembro de 2025 e abril de 2026, abrangendo análise documental de Projetos Pedagógicos de Curso (PPC) e aplicação de questionários ao corpo docente. Este trabalho está estruturado em três capítulos/artigos. Especificamente, pretende-se: (i) mapear a presença da Educação Ambiental nos cursos de graduação e sua distribuição por área do conhecimento; (ii) analisar as concepções de docentes e gestores sobre a temática e sua relação com a formação cidadã ambiental; e (iii) identificar práticas pedagógicas e desafios na implementação da Educação Ambiental nos currículos da instituição. No eixo documental, foram analisados 75 PPC, dos quais 49 (65,3%) apresentaram a temática ambiental de forma explícita nos documentos analisados, enquanto em 26 cursos (34,7%) essa presença não foi identificada. Evidenciou-se a predominância da inserção combinada (disciplinar e transversal), identificada em 57 cursos (76,00%). A transversalidade declarada ocorreu em 26 cursos (34,67%), enquanto a menção pontual foi registrada em três e a disciplina específica isolada em apenas um curso. No eixo empírico, participaram 175 docentes e identificou-se predominância de concepções pragmáticas de EA (n = 110; 62,86%), seguidas por abordagens conservadoras (n = 51; 29,14%) e críticas (n = 14; 8,00%). As concepções de meio ambiente revelaram tendência à compreensão naturalista e utilitária, enquanto a formação cidadã apareceu associada, sobretudo, à sensibilização e à responsabilidade individual. As práticas pedagógicas, embora presentes, mostraram baixa incorporação de dimensões sociais, políticas, territoriais e emancipatórias da questão ambiental. Conclui-se, de modo parcial, que, embora presente nos documentos e nas práticas, a EA na UESPI permanece fragmentada e despolitizada, o que restringe seu potencial de promover transformação social e formação cidadã crítica no ensino superior.