Esta dissertação aborda as memórias, identidades e territorialidades das Quebradeiras de Coco Babaçu da comunidade Chapada da Sindá, localizada no município de São João do Arraial, Piauí. A pesquisa parte de uma perspectiva autoetnográfica e antropológica, construída a partir da vivência da própria pesquisadora enquanto mulher, neta, filha e integrante de uma família de quebradeiras de coco babaçu. O estudo analisa os processos históricos de luta pela terra, pelo babaçu livre e pela garantia de direitos sociais, evidenciando a atuação coletiva das mulheres na organização comunitária e nos movimentos sociais, especialmente no Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB). A investigação discute ainda a relação entre memória social, ancestralidade, identidade coletiva e resistência territorial, articulando saberes tradicionais e produção acadêmica. Também são abordadas as transformações socioculturais da comunidade, a importância da educação do campo, da Pedagogia da Alternância e das juventudes na continuidade das lutas históricas. A etnografia demonstra que os babaçuais constituem não apenas espaços econômicos, mas territórios simbólicos de pertencimento, produção de conhecimento, resistência política e preservação cultural. Metodologicamente, a dissertação utiliza entrevistas, rodas de conversa, observação participante, registros fotográficos e narrativas orais, valorizando as experiências e vozes das próprias quebradeiras de coco. Conclui-se que as memórias coletivas e os saberes tradicionais das mulheres da Chapada da Sindá permanecem fundamentais para a manutenção da identidade comunitária, da luta por direitos e da salvaguarda do patrimônio sociocultural das comunidades tradicionais dos cocais piauienses.