Esta dissertação investiga as experiências de mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), analisando como o diagnóstico reorganiza práticas de cuidado, relações de parentesco e formas de interação com o Estado. O tema central da pesquisa consiste na articulação entre gênero, cuidado e parentesco no contexto das chamadas "maternidades atípicas", compreendidas como uma categoria nativa mobilizada pelas próprias interlocutoras para significar suas experiências cotidianas. A pesquisa tem caráter etnográfico com a observação participante sendo feita no do CRAS de União/PI. Também foram realizadas entrevistas semiestruturadas com mães de crianças autistas. O referencial teórico articula contribuições da antropologia do parentesco, do Estado e do cotidiano e do gênero e cuidado. Conclui-se que o cuidado opera como categoria central para compreender a produção contemporânea da maternidade, do parentesco e das formas de cidadania, revelando que o Estado se materializa nas práticas ordinárias vivenciadas pelas famílias e que as experiências dessas mulheres tensionam modelos tradicionais de família, gênero e assistência social, contribuindo para ampliar o debate antropológico sobre deficiência, políticas públicas e relações de cuidado.