Esta pesquisa analisa as experiências de maternidade juvenil no contexto rural do município de Beneditinos, Piauí, a partir de uma abordagem antropológica que privilegia as trajetórias e narrativas de jovens mães. O estudo parte do questionamento de interpretações normativas que associam a gravidez na adolescência exclusivamente a situações de vulnerabilidade e ruptura, buscando compreender a maternidade como um fenômeno social complexo, situado e atravessado por marcadores como gênero, classe e condições de vida. Metodologicamente, a pesquisa se fundamenta na etnografia, articulando entrevistas semiestruturadas, diário de campo e registros reflexivos, em diálogo com perspectivas feministas que enfatizam a produção situada do conhecimento. A investigação valoriza as interlocutoras como sujeitas ativas, cujas experiências e interpretações contribuem para tensionar hierarquias tradicionais na construção do saber antropológico. Os resultados indicam que a maternidade juvenil, longe de constituir uma experiência homogênea, assume múltiplos significados nas trajetórias das jovens, podendo estar associada tanto a desafios estruturais quanto a projetos de vida, redes de apoio e formas específicas de inserção social. Nesse sentido, o estudo evidencia a necessidade de compreender a maternidade na juventude para além de perspectivas deterministas, reconhecendo sua dimensão relacional, contextual e processual. Conclui-se que a análise etnográfica permite apreender as complexidades das experiências vividas, contribuindo para o debate antropológico sobre juventude, gênero e reprodução social em contextos rurais.