A proposta de pesquisa embasa-se na questão: como os(as) professores(as) egressos(as) da Licenciatura em Educação do Campo, constroem e mobilizam saberes na prática docente, nos anos finais do Ensino Fundamental, contextualizando-os com os saberes da cultura camponesa? Com base no problema de pesquisa, o objetivo principal é: analisar como os(as) professores(as) egressos(as) da Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal do Piauí, Campus de Teresina, constroem e mobilizam saberes, na prática docente, nos anos finais do Ensino Fundamental, contextualizando-os com os saberes da cultura camponesa. O aposte teórico que fundamenta este estudo apresenta-se organizado por categoria da seguinte forma: cultura (Chauí, 2000; Tardin, 2002); Educação do Campo (Arroyo, 2014; Caldart, 2004; Molina, 2010); prática docente (Franco, 2012; Freire, 1996); saberes docentes (Charlot, 2000; Saviani, 1994; Tardif, 2014); Teoria Crítica (Adorno, 2020; Giroux, 1997). No desenvolvimento desta investigação, utiliza-se a pesquisa descritiva de caráter qualitativo e, como método e técnica de investigação, a abordagem narrativa. Como dispositivos de produção de dados usou-se o grupo focal (Gatti, 2005) e o diário de aula (Zabalza, 2004), junto a 4 (quatro) professores(as) da Escola Família Agrícola de Miguel Alves, egressos da LEdoC, estabelecendo como critérios de seleção: ser egresso(a) do curso da LEdoC; atuar nos anos finais do Ensino Fundamental nas escolas do/no Campo; e disponibilizar-se a participar da pesquisa. A análise dos dados segue a técnica de análise das narrativas de vida na perspectiva de Bertaux (2010). As narrativas apontam que os interlocutores constroem e mobilizam saberes, na prática, articulando os saberes da cultura camponesa aos conhecimentos escolares, por meio da sistematização de temas específicos, trabalhados com a utilização dos instrumentos da Pedagogia da Alternância, na escola e na comunidade, em que são relacionados os conteúdos trabalhados na sala de aula à realidade da vida do(a) estudante no campo. Portanto, os(as) estudantes aplicam a teoria que acessam na escola no cotidiano familiar e no trabalho no campo, interconectando conhecimentos, valorizando os saberes locais e intervindo na própria realidade.