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Banca de DEFESA: RUANNA THAIMIRES BRANDÃO SOUZA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: RUANNA THAIMIRES BRANDÃO SOUZA
DATA: 27/02/2026
HORA: 08:30
LOCAL: Auditório Socorro Lira / Tropen
TÍTULO: Restinga piauiense: dinâmica do uso e cobertura do solo, fitodiversidade, fitofisionomias e avanços nos estudos etnobotânicos
PALAVRAS-CHAVES: Conservação, Conhecimento tradicional, Ecossistemas costeiro, Inventário florístico
PÁGINAS: 216
GRANDE ÁREA: Outra(s)
ÁREA: Ciências Ambientais
RESUMO:

A restinga é um ecossistema costeiro de grande importância ecológica, econômica e sociocultural, cuja conservação exige conhecimento aprofundado sobre sua dinâmica ambiental, diversidade biológica e interação com comunidades humanas. Foram utilizadas técnicas de sensoriamento remoto para analisar as mudanças temporais no uso e cobertura do solo no município de Ilha Grande, Piauí, ao longo de 31 anos (1992-2021), com base nos dados da plataforma MapBiomas, a fim de identificar tendências, padrões de transformação e possíveis impactos ambientais decorrentes dessas mudanças na área de estudo. utilizando o Sistema de Informação Geográfica QGIS, versão 3.22.10, com o plug-in SCP (Semi-Automatic Classification Plugin) para o mapeamento das alterações na cobertura do solo. A tabulação dos dados, geração de gráficos e tabelas, e cálculo da representatividade das classes de mudanças foram realizadas no MS Excel, utilizando o plug-in Land Cover Changes. Os resultados apontam que, em 1992, a paisagem de Ilha Grande Piauí era predominantemente natural, com extensas áreas de vegetação nativa e pouca intervenção humana. Porém, entre 2002 e 2012, observou-se um aumento considerável nas áreas urbanizadas e no desenvolvimento econômico. Este fenômeno tornou-se ainda mais evidente em 2021, com a expansão urbana, instalação de empreendimentos e crescimento do turismo, resultando em impactos significativos na cobertura do solo. O levantamento florístico da restinga de Ilha Grande foi realizado entre setembro de 2022 e agosto de 2025, abrangendo diferentes formações vegetais campestres, arbustivas e florestais, em uma área aproximada de 129,7 km². O esforço amostral resultou em 409 registros de ocorrência, dos quais 281 corresponderam a coletas de campo. Foram registradas 281 espécies de fanerógamas, distribuídas em 175 gêneros e 55 famílias, com destaque para Fabaceae (55 espécies), Poaceae (25 espécies) e Cyperaceae (23 espécies). Os gêneros mais representativos foram Cyperus (14 espécies), Paspalum (8 espécies) e Ipomoea (8 espécies). Quanto às formas de crescimento, predominam espécies herbáceas (140 spp.; 50%), seguidas por arbustos (77 spp.; 28%) e árvores (30 spp.; 11%). O inventário ampliou em 60,39% o conhecimento florístico do município, registrou 12 novos táxons para o estado do Piauí, identificou 54 espécies endêmicas e revelou que 3,2% das espécies apresentam algum grau de ameaça de extinção. A organização fitofisionômica foi investigada por meio de levantamentos de campo realizados entre março de 2022 e agosto de 2025, integrados ao mapeamento por imagens multiespectrais Sentinel-2, utilizando classificação supervisionada e validação geoambiental. Foram identificadas treze classes de uso e cobertura da terra, incluindo oito fitofisionomias de restinga. A vegetação ocupou a maior parte da área de estudo, com predominância do fruticeto aberto inundável (33,0%), seguido por campos entremeados (13,38%) e formações florestais não inundáveis (12,40%). A riqueza florística foi maior nas formações campestres (157 espécies), seguida pelos fruticetos (94 espécies) e florestas (30 espécies). Os padrões espaciais revelam uma paisagem em mosaico, estruturada predominantemente por gradientes hidro-edáficos e microtopográficos, sem evidências de trajetórias sucessionais lineares, destacando a singularidade ecológica dos sistemas costeiros deltaicos em relação a outras restingas do Nordeste brasileiro. Foi realizado ainda um mapeamento dos estudos etnobotânicos sobre Restinga e Etnobotânica no Brasil, utilizando descritores “Restinga”, “Restinga AND Ethnobotany”, “Restinga AND Ethnobotany AND Brazil” nas bases de dados Portal Periódicos Capes, Web of Science e Scopus. Os artigos abordaram principalmente os usos econômicos, ecológicos e ambientais de espécies vegetais, bem como o conhecimento local sobre plantas medicinais e enfatiza a importância de estratégias para a criação de áreas protegidas de uso sustentável como forma de garantir a manutenção de conhecimento tradicional e conhecimento local associado. Conclui-se que, os estudos sobre etnobotânica em ambiente de restinga são escassos e que pesquisas futuras poderiam levar em consideração os aspectos culturais, sociais e econômicos vivenciados pelas comunidades costeiras, com maiores subsídios para ações que contribuam para a conservação de espécies vegetais e de conhecimento tradicional em áreas de restinga. Foram registradas 13 publicações, distribuídas ao longo dos anos de 2004 a 2023. Os artigos abordaram principalmente os usos econômicos, ecológicos e ambientais de espécies vegetais, bem como o conhecimento local sobre plantas medicinais e enfatiza a importância de estratégias para a criação de áreas protegidas de uso sustentável como forma de garantir a manutenção de conhecimento tradicional e conhecimento local associado. Conclui-se que, os estudos sobre etnobotânica em ambiente de restinga são escassos e que pesquisas futuras poderiam levar em consideração os aspectos culturais, sociais e econômicos vivenciados pelas comunidades costeiras, com maiores subsídios para ações que contribuam para a conservação de espécies vegetais e do conhecimento tradicional em áreas de restinga. De forma integrada, os resultados apresentados evidenciam a elevada diversidade florística, a complexidade fitofisionômica e a crescente pressão antrópica sobre a restinga de Ilha Grande, Piauí, ressaltando seu papel estratégico para a conservação da zona costeira piauiense. A presença expressiva de espécies endêmicas, novos registros estaduais e táxons ameaçados, aliada à escassez de estudos etnobotânicos, reforça a urgência de ações de preservação, monitoramento contínuo e gestão territorial integrada. O estudo fornece uma base científica sólida para subsidiar políticas públicas, estratégias de manejo sustentável, recuperação de áreas degradadas e iniciativas que conciliem desenvolvimento socioeconômico e conservação ambiental na região costeira do Piauí.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - 000.***.***-18 - EDUARDO BEZERRA DE ALMEIDA JÚNIOR - UFMA
Interno - 302.***.***-53 - FRANCISCO SOARES SANTOS FILHO - UESPI
Presidente - 1221652 - IVANILZA MOREIRA DE ANDRADE PAIVA
Externo à Instituição - 008.***.***-35 - LEONARDO SILVA SOARES - UFMA
Externo ao Programa - 1742005 - MARIA CAROLINA DE ABREU
Externo à Instituição - 216.***.***-34 - OBERDAN JOSÉ PEREIRA - UFES
Externo à Instituição - 993.***.***-49 - SHEILA MILENA NEVES ARAUJO SOARES - UESPI
Notícia cadastrada em: 06/02/2026 17:55
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