O modelo de crescimento linear focado no lucro gerou crises ambientais e sociais, demandando a transição para o desenvolvimento sustentável fundamentado na circularidade. Este trabalho justifica-se pela importância estratégica do setor de polpa de frutas para o agronegócio brasileiro, especialmente no Nordeste, e pela carência de estudos que integrem ferramentas de gestão sustentável para este produto. O objetivo geral é analisar os impactos ambientais, sociais e econômicos da cadeia de valor de polpas de frutas por meio da aplicação de ferramentas de Gestão do Ciclo de Vida, visando subsidiar decisões estratégicas voltadas à sustentabilidade do setor. A pesquisa estrutura-se de forma interdependente em quatro etapas: o Capítulo I investigou a comunicação corporativa, revelando que os discursos institucionais são predominantemente orientados ao marketing, com baixo embasamento técnico e potencial de Greenwashing. Essa constatação de falta de transparência deu subsídios para o Capítulo II, que estabeleceu uma proposta metodológica ao integrar a Análise do Discurso materialista à Avaliação Social do Ciclo de Vida, criando um protocolo para converter narrativas e silêncios corporativos em evidências sociais materiais e comparáveis. Com essa ferramenta, o Capítulo III realizou a aplicação prática na cadeia produtiva de polpas congeladas, diagnosticando que 52% das categorias sociais operam abaixo do requisito básico, evidenciando que a etapa de cultivo é significativamente mais crítica socialmente do que o beneficiamento industrial. Para completar o diagnóstico do tripé da sustentabilidade, o Capítulo IV quantificou a relação ambiental-econômico por meio da Avaliação da Ecoeficiência das polpas de acerola e goiaba, identificando o uso intensivo de fertilizantes, o consumo energético na irrigação e a logística regional como os principais hotspots do ciclo de vida. Conclui-se que a aplicação integrada das ferramentas de Gestão do Ciclo de Vida, conforme realizada neste estudo, permite identificar os impactos ambientais, sociais e econômicos, bem como possíveis lacunas entre as narrativas corporativas e a realidade operacional. Assim, identificou-se que sustentabilidade socioambiental no setor ainda é tratada como ferramenta de reputação e não como pilar estratégico na tomada de decisões na cadeia de suprimentos. Como recomendações, propõe-se a aplicação da estrutura proposta no capítulo II em outras cadeias do agronegócio e a inclusão de indicadores de saúde mental e diversidade cultural, acompanhando a evolução das demandas sociais e normativas, bem como a avaliação ambiental de outros tipos de frutas tropicais importantes para a região Nordeste do Brasil.