As associações rurais têm o potencial de gerar estratégias criativas e democráticas para o desenvolvimento local, promovendo a participação política e social e otimizando o uso dos recursos disponíveis localmente. Através da organização em associações rurais, os indivíduos podem catalisar mudanças sociais, políticas e econômicas. Este estudo tem como objetivo analisar e compreender o desenvolvimento do sistema de atividades focado na produção e as manifestações de contradições históricas entre os membros de uma associação de agricultores de várzea e agricultores familiares no município de Teresina. Trata-se de um estudo qualitativo baseado na Teoria da Atividade Histórico-Cultural, um quadro teórico-metodológico que sustenta a colaboração entre investigadores e participantes. O estudo foi ancorado no Laboratório de Mudança (LM), caracterizado como uma metodologia participativa que visa proporcionar transformações profundas ou incrementais superficiais no trabalho. Assim, foram realizadas 10 sessões de LM, precedidas por entrevistas semiestruturadas e pela coleta de informações gerais ou específicas por meio de diálogos em grupo ou individuais. As entrevistas, gravadas em áudio, buscaram compreender o sistema de atividades da associação. O estudo demonstra as motivações que sustentam o grupo desde 1991 nas suas atividades, mesmo diante de desafios como a falta de apoio técnico, a falta de posse das terras onde vivem e trabalham e o baixo envolvimento dos membros em ações coletivas. Foram identificados cinco padrões de expressões que remetiam a sentimentos de satisfação e prazer em persistir na lida com a terra: gostar do que faz; vínculo com a história familiar; essência do altruísmo; contato com a natureza e gratidão pela terra. Três contradições históricas foram identificadas nas atividades atuais da associação, que contribuíram para problemas como fragilidade estrutural, falta de serviços essenciais, baixo número de membros, regularização fundiária pendente e produção incipiente. A dramatização destacou-se pelo forte impacto emocional, promovendo aprendizado significativo, fortalecimento da harmonia do grupo e estímulo à agência coletiva. As encenações, criadas pelos próprios participantes, transformaram manifestações de contradições em ações concretas, resultando em mobilização imediata para resolver problemas reais. Assim, o estudo confirma o potencial da arte como ferramenta pedagógica capaz de promover protagonismo, engajamento e união, oferecendo um modelo inovador para políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural e à emancipação de comunidades historicamente excluídas e invisibilizadas.