Introdução: As leishmanioses constituem importantes problemas de saúde pública no Brasil, apresentando distribuição heterogênea e comportamento epidemiológico variável entre os territórios. No estado do Piauí, a leishmaniose visceral (LV) e a leishmaniose tegumentar americana (LTA) permanecem relevantes devido à persistência da transmissão e às diferenças regionais de ocorrência. Objetivo: Comparar a tendência temporal das leishmanioses visceral e tegumentar americana nas 12 regiões de saúde do estado do Piauí, no período de 2010 a 2024. Métodos: Trata-se de um estudo ecológico, descritivo, de abordagem quantitativa e série temporal, realizado com dados secundários provenientes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Foram analisados os casos confirmados de leishmaniose visceral e leishmaniose tegumentar americana registrados no estado do Piauí entre 2010 e 2024. As taxas de incidência foram calculadas por 100 mil habitantes e a análise de tendência tempoeral foi realizada por meio do sotware Joinpoint Regression Program versão 5.4.0.0. Resultados: Observou-se heterogeneidade espaço-temporal das leishmanioses entre as regiões de saúde do estado. A leishmania visceral apresentou distribuição mais contínua ao longo da série histórica, com maiores taxas registradas nas regiões da Chapada das Mangabeiras, Serra da Capivara, Vale dos Rios Piauí e Itaueiras e Entre Rios. A leishmaniose tegumentar americana apresentou comportamento mais intermitente, com maior frequência de anos sem registro e picos expressivos principalmente nas regiões do Alto Parnaíba e Cocais. As análises de tendência temporal evidenciaram predomínio de estabilidade das taxas, além de períodos de crescimento e declínio estatisticamente significativos em determinadas regiões. Conclusão: A tendência temporal das leishmanioses no Piauí apresentou comportamento heterogêneo entre os territórios analisados, com manutenção do risco de transmissão ao longo do período estudado. Os resultados reforçam a necessidade de fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica, diagnóstico precoce e controle vetorial, considerando as especificidades regionais para o planejamento das ações de saúde pública.