Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: ROSYANE MOURA DA ROCHA
DATA: 15/05/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Departamento de Biofísica e Fisiologia/UFPI
TÍTULO: (A)FETO PLATAFORMA DIGITAL PARA O MONITORAMENTO ATIVO DA SAÚDE MATERNO-FETAL
PALAVRAS-CHAVES: Anomalias Congênitas; Saúde Digital; Telessaúde; Medicina Fetal; Sistemas de Informação em Saúde; Atenção Primária à Saúde.
PÁGINAS: 139
GRANDE ÁREA: Ciências da Saúde
ÁREA: Medicina
RESUMO:
As anomalias congênitas configuram-se como importante problema de saúde pública, com impacto na morbimortalidade infantil e nos sistemas de saúde, especialmente em países de baixa e média renda. No Brasil, embora o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) permita o monitoramento
dessas condições, persistem limitações relacionadas à subnotificação, desigualdades regionais na capacidade diagnóstica e fragilidades na comunicação entre os níveis de atenção à saúde e na continuidade do cuidado. Esta tese tem como objetivo desenvolver, implementar e avaliar o impacto de
uma plataforma digital voltada à integração do cuidado materno-fetal no Sistema Único de Saúde (SUS). Como etapa preliminar, foi realizada análise epidemiológica das anomalias congênitas no estado do Piauí para caracterização do cenário e fundamentação da intervenção. O estudo foi estruturado em dois capítulos no formato de artigos científicos. O Capítulo I,voltado à caracterização do cenário epidemiológico, consistiu em estudo observacional de série temporal com dados do SINASC no período de 2011 a 2024. Foram analisados 650.660 nascidos vivos, dos quais 4.545 apresentaram anomalia congênita, correspondendo a prevalência de 70,0 por 10.000 nascidos vivos, com tendência ascendente no período (VPA=1,46%; IC95%: 1,32–1,62). No modelo ajustado, as variáveis associadas foram idade materna ≥35 anos (RP=1,50; IC95%: 1,38–1,63), raça/cor preta (RP=1,22; IC95%: 1,03–1,44), amarela (RP=1,53; IC95%: 1,04–2,25) e indígena (RP=2,85; IC95%: 1,53–5,30), gestação múltipla (RP=1,40; IC95%: 1,15–1,71) e até seis consultas pré-natais (RP=1,16; IC95%: 1,09–1,24). Os achados sugerem subdiagnóstico em condições dependentes de tecnologias especializadas. O Capítulo II envolveu o desenvolvimento e a implementação da plataforma digital (A)FETO, projetada para integrar a Atenção Primária à Saúde (APS) à medicina materno-fetal, com avaliação de impacto por estudo comparativo. Em 12 meses de operação em cenário real do SUS, foram cadastradas 127 gestantes e 27 profissionais de saúde. O tempo de espera para atendimento em Medicina Fetal foi menor no grupo plataforma (mediana: 17 dias; IIQ: 4–25) em comparação ao fluxo convencional (42 dias; IIQ: 32–54; p<0,001). O uso da plataforma associou-se ao acesso oportuno em até 30 dias (OR=26,3; IC95%: 11,20–61,54). A plataforma (A)FETO demonstrou viabilidade técnica e impacto no acesso ao cuidado especializado, reduzindo o tempo de espera e ampliando o acesso oportuno à Medicina Fetal. Os achados demonstram que a articulação entre evidência epidemiológica e inovação tecnológica pode contribuir para a qualificação da assistência materno-fetal e a redução de desigualdades no acesso ao cuidado especializado no SUS.
MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - 045.***.***-47 - AUGUSTO CESAR CARDOSO DOS SANTOS - INAGEMP
Interno - 2714919 - DANIEL DIAS RUFINO ARCANJO
Externo ao Programa - 1446435 - VINICIUS PONTE MACHADO
Cadastrada em: 05/05/2026