Esta dissertação aborda as lutas das quebradeiras de coco babaçu do Assentamento Fortaleza IV, localizado no município de Esperantina, estado do Piauí. A pesquisa parte do entendimento de que os babaçuais representam muito mais do que uma fonte de subsistência econômica, constituindo espaços de memória, pertencimento e reprodução dos modos de vida tradicionais. O estudo buscou compreender o processo de mobilização étnica das quebradeiras de coco diante das transformações sociais e ambientais que atingem seus territórios, especialmente aquelas relacionadas à expansão urbana, aos conflitos fundiários e à degradação ambiental. Para isso, foi desenvolvida uma pesquisa de caráter qualitativo, etnográfico e autoetnográfico, fundamentada na observação, em entrevistas semiestruturadas, rodas de conversa, análise de documentos e registros em diário de campo, considerando também a trajetória da própria pesquisadora enquanto quebradeira de coco e integrante da comunidade investigada. A dissertação analisa ainda o processo histórico de constituição do Projeto de Assentamento Fortaleza IV, a atuação das quebradeiras de coco, a organização coletiva das famílias, a atuação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) e o conflito ocasionado pela construção de uma estrada no território sem consulta prévia à comunidade. Além disso, destaca a importância da nova cartografia social para o fortalecimento do movimento e conquistas de direitos. Os resultados da pesquisa demonstram que os conhecimentos tradicionais das quebradeiras de coco babaçu constituem instrumentos de luta e resistência voltados à garantia dos direitos territoriais, à preservação dos babaçuais e à valorização das comunidades tradicionais dos cocais piauienses.