Esta dissertação analisa a luta empreendida pelas quebradeiras de coco babaçu, que resultou na conquista da titulação do Território Tradicional Vila Esperança, localizado nos municípios de Esperantina, São João do Arraial e Campo Largo do Piauí. Reflete sobre os desafios vivenciados após a titulação, evidenciando a distância entre o reconhecimento jurídico manifesto na solenidade de entrega do título e a ausência de políticas públicas contextualizadas e ações que garantam a efetivação do direito e o bem viver das famílias no território. A autora do texto, como pesquisadora quebradeira de coco babaçu, assume a escrita etnográfica em primeira pessoa como um ato político de descolonização do saber, assumindo uma postura reflexiva, que dialoga com as epistemologias do Sul, privilegiando, inclusive, as contribuições de Antônio Bispo dos Santos (2015; 2023), o Nego Bispo, e Francisca Rodrigues dos Santos (2019), a Chica Lera. A pesquisa foi realizada por meio de trabalho de campo constituído de observação, entrevistas, registro audiovisual, participação em reuniões e eventos, análise de documentos e realização de oficina de cartografia social. Como resultado, registro o processo de territorialização, a mobilização étnica, as violências do sistema de barracão e a criação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), concebido como um abraço coletivo que unificou a luta nos estados do Piauí, Maranhão, Pará e Tocantins. Analiso como a relação com a Mãe Palmeira, a economia do babaçu (Attalea speciosa), as parcerias e a experiência da Escola de Formação Itinerante constituem uma motivação que favorece à resistência e a permanência no território. Concluo mostrando que a autonomia territorial desejada pelas quebradeiras de coco babaçu é um processo de luta que exige resiliência contínua. Embora sejam muitos os problemas e desafios, não falta motivação e determinação para continuar defendendo o direito de reexistir das quebradeiras e o bem viver nos babaçuais.