Nesta dissertação analiso as práticas rituais que envolvem os processos de cura no Vale do Amanhecer, comunidade espiritualista fundada por Tia Neiva em 1969, a partir de uma etnografia realizada no templo Amançuy, em Teresina-PI. O objetivo é compreender como ações verbais ritualizadas, práticas corporais e categorias cosmológicas se articulam na produção da experiência da cura, tomando como foco os rituais de “Junção”, “Cura Iniciática” e “Randy”. A pesquisa fundamenta-se em uma abordagem etnográfica de caráter qualitativo, desenvolvida por meio de observação participante, diário de campo, entrevistas abertas e semiestruturadas, conversas informais e análise de documentos doutrinários. A minha condição de “médium” do Vale do Amanhecer possibilitou uma inserção aprofundada no campo, ao mesmo tempo em que exigiu um exercício permanente de reflexividade acerca das relações entre pertencimento e análise antropológica. Dialogando com autores como Douglas (1976), Mauss (1979), Tambiah (1968) e Csordas (2008), a pesquisa contribui para os estudos antropológicos sobre ritual, corporeidade e religião ao evidenciar a centralidade da linguagem ritual e do corpo na construção das experiências de sofrimento, transformação e cura no Vale do Amanhecer.