Esta dissertação investiga como a moda contemporânea em Teresina-PI atua como um dispositivo biopolítico e um campo de disputas simbólicas sobre o corpo, analisando os processos de reprodução dos padrões normativos eurocêntricos e as estratégias de resistência das corporeidades dissidentes. O objetivo principal é compreender de que maneira o vestir, as performances estéticas e a linguagem da cena local contribuem para a desconstrução das normas hegemônicas de beleza e promovem a inclusão de corpos gordos, negros, trans e queer. A metodologia adota uma abordagem qualitativa e interpretativa de cunho etnográfico, combinando observação participante nos bastidores e eventos de moda locais, diário de campo, levantamento iconográfico de campanhas publicitárias e entrevistas em profundidade com agentes do mercado local. O arcabouço teórico fundamenta-se nas discussões sobre técnicas do corpo (Mauss), biopolítica e disciplina (Foucault), distinção social (Bourdieu), pele social (Turner) e performatividade (Butler). Os resultados parciais indicam que, embora o mercado oficial de Teresina ainda opere sob lógicas de exclusão e recorra frequentemente ao tokenismo para acumular capital simbólico, ocorrem fissuras significativas promovidas por sujeitos e coletivos marginais através da utilização do dialeto Pajubá, das práticas de "montação" e do uso adaptativo do vestuário. Trata-se de uma pesquisa em andamento, em fase de qualificação, cujos achados preliminares sinalizam que a moda na região ultrapassa o consumo, consolidando-se como uma ferramenta pedagógica de emancipação; a continuidade da investigação buscará aprofundar a análise de campo para consolidar como essas práticas tensionam as estruturas elitistas regionais e reconfiguram as subjetividades no Meio-Norte brasileiro.