Este trabalho propõe uma investigação sobre o comportamento do marcador prefixal des- junto à unidade cobrir no português brasileiro, focando na relevância e na função de seus usos atuais. A pesquisa é norteada pela premissa de que o prefixo, ao se associar a uma base verbal, constitui um predicado complexo e desempenha um papel crucial na reconstrução da identidade semântica da unidade verbal. Objetiva-se compreender os processos resultantes da combinação do prefixo com a base verbal; buscar a identidade semântica do prefixo des- e analisar o funcionamento enunciativo dessa combinação; demonstrar o modo de reconstrução da identidade semântica da base, explicando como os parâmetros engendrados pelo prefixo se integram aos do marcador verbal; e descrever as operações de linguagem e os esquemas argumentativos resultantes dessas relações. Como fundamentação teórica, utiliza-se a Teoria das Operações Predicativas e Enunciativas (TOPE), desenvolvida por Culioli (1985; 1990; 1999b), bem como os desdobramentos propostos por estudiosos como De Vogüé, Paillard, Franckel, Rezende e Romero. A metodologia ancora-se na teoria dos observáveis, específica da TOPE, que propõe uma análise exaustiva dos enunciados por meio de manipulações constantes e paráfrases, fazendo emergir as formas de invariância e as operações de linguagem engendradas. O corpus é constituído por enunciados reais extraídos do mecanismo de busca Google. Para a unidade descobrir, especificamente, utilizou-se o mesmo corpus analisado em nossa dissertação de mestrado. Os estudos preliminares indicaram que a combinação não se configura majoritariamente como uma simples negação ou oposição ao verbo cobrir, mas sim como um amálgama que constrói novos valores semânticos que parecem estar desvinculados da base verbal. Esses resultados evidenciaram a necessidade de aprofundamento da pesquisa, justificando este estudo com enfoque nas operações enunciativas ativas que ocorrem em torno dessas unidades prefixadas.