Pequena Coreografia do Adeus, segundo livro de Aline Bei, foi publicado em 2021 como produto de uma contemporaneidade efervescente. A obra apresenta o ato de maternar sob um viés não convencional, enfatizando o mal como parte desse processo. Com base nisso, procuramos entender a atuação da monstruosidade a partir da categorização da mãe-monstro. É de nosso interesse entender como que o Mal, no caso de Pequena Coreografia do Adeus, aparece por meio dos abandonos e das faltas simbólicas, conceito lacaniano. Ao situar o debate em torno da Psicanálise, procuramos compreender como a demanda, também por uma ótica psicanalítica, compõe a subjetividade do sujeito, atuando dentro do real, que é mais um dos registros lacanianos. Essa composição mostra um quadro que pinta a maldade como efeito gerado pela mãe e recebido pelas lentes da filha. Ao engendrar a tríade que une estudos do mal, psicanálise e gênero, propomos um trabalho de cunho metodológico teórico-analítico acerca da maternidade monstruosa. A partir de nomes como Júlio França, Jacques Lacan, Elisabeth Badinter e Sulamith Firestone, como produto final do trabalho, pudemos apresentar à comunidade acadêmica um fruto teórico que insere a mãe-monstro nos estudos de gênero e literatura. O intuito é valorizar não apenas a literatura contemporânea, mas as vozes femininas em suas múltiplas representações. Além disso, procuramos, com essa produção, dar voz às narrativas atuais, sobretudo àquelas escritas por mulheres e que versam sobre temas considerados tabus.