A obra Novelas doidas (1928), do escritor Viriato Corrêa, reúne contos marcados pela recorrência do mistério, de crimes passionais e de histórias trágicas. Com um tom psicológico e dramático, a coletânea estabelece um diálogo com as estéticas gótica e expressionista. Pretende-se, assim, compreender de que modo a presença do gótico e do expressionismo nas narrativas do autor reconfigura essas vertentes estéticas e singulariza a sua escrita. A hipótese de trabalho postula que os contos selecionados caracterizam-se por aspectos e temáticas do gótico-expressionismo, tais como a distorção da realidade, a abstração, o sentimento trágico, a negatividade da existência e, sobretudo, a crítica aos valores do mundo burguês. Esta pesquisa, de cunho bibliográfico, fundamenta-se nos pressupostos teóricos sobre o gótico na literatura ficcional desenvolvidos por Fred Botting (2024) e Júlio França (2015, 2017); nas discussões sobre o expressionismo nas artes plásticas e na literatura propostas por Claudia Valladão de Mattos (2002), Aguinaldo José Gonçalves (2002), Giulio Carlo Argan (1992) e R. S. Furness (1990); além das contribuições da crítica literária brasileira que situam Viriato Corrêa no panorama do início do século XX. Mediante uma análise comparativa, busca-se demonstrar como o autor mobiliza elementos dessas estéticas para trazer à tona o interior humano, evidenciando angústias e conflitos psíquicos que culminam no mal e na violência como reflexos de sua relação com o meio.