O Ensino de Filosofia no Brasil segue o modelo da tradição de pensamento ocidental e não tem considerado as ideias de mulheres filósofas. Não é de hoje que a exclusão e o apagamento do pensamento feminino e feminista se fazem regra universal e violenta; seus pensamentos estão ausentes quando se estuda e ensina filosofia. Este estudo tem como objetivo fundamental compreender o silenciamento das vozes femininas no ensino de filosofia, e o problema diz respeito aos porquês desse processo. É um trabalho que inicialmente segue parâmetros da pesquisa teórico bibliográfica, com abordagem qualitativa e, no seu final assume ares da pesquisa ação. Ao mesmo tempo em que se analisa e interpreta criticamente o problema, vai-se buscar encontrar o trabalho filosófico das mulheres em diferentes períodos da tradição, perfurando os cânones clássicos e mapeando presenças e ausências. Esse exercício de buscas vai ser realizado em relação à tradição de modo geral, mas, também, e de modo mais específico, nos compêndios que tratam sobre o ensino de filosofia no Brasil, para se descobrir porque nas escolas os materiais didáticos e paradidáticos tornam importante apenas o pensamento de filósofos homens. O principal suporte teórico é Hannah Arendt, mas, também, contamos com pensadoras brasileiras como Juliana Pacheco, Sueli Carneiro, Yara Frateschi, Djamila Ribeiro e outras. Durante o estudo vamos propor uma Ação Didático Filosófica, ADF, que transgrida àquilo que está posto historicamente no Ensino: uma semana filosófica com o tema —política é coisa de mulher‖, explorando o pensamento de Hannah Arendt e corroborando a tese de que podemos ensinar conteúdos nas escolas da Educação Básica a partir de ideias produzidas por mulheres. Todo o estudo tem a pretensão de afirmar, na prática de Ensino de filosofia, a potência das vozes femininas na produção do conhecimento filosófico.