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Banca de QUALIFICAÇÃO: RAQUEL LEAL DE CARVALHO
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: RAQUEL LEAL DE CARVALHO
DATA: 23/06/2026
HORA: 15:00
LOCAL: QUALIFICAÇÃO DE DISSERTAÇÃO
TÍTULO: Espaço e Memória Cultural no Cinema Neorregionalista brasileiro: um estudo de Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, e de Piedade, de Claudio Assis
PALAVRAS-CHAVES: Cinema Neorregionalista. Espaço urbano. Memória cultural. Aquarius. Piedade.
PÁGINAS: 91
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Letras
RESUMO:

O cinema nacional tem se consolidado como patrimônio estético brasileiro, realizando, de forma cada vez mais eminente, as possibilidades da linguagem audiovisual de expressar dramas e problemáticas sociais sem comprometer a dimensão contemplativa, indispensável à obra artística. O cinema regionalista, por sua vez, ganhou visibilidade transnacional, contrapondo-se à homogeneização das demais indústrias cinematográficas. Na contemporaneidade, esse modelo de produção audiovisual passa a incorporar novas configurações estéticas, como a autonomia das personagens femininas, a ampliação do espaço para além do meio rural e a valorização da memória cultural, características que Braga (2021) reúne sob a denominação de Cinema Neorregionalista. No contexto do cinema neorregionalista urbano nordestino, este trabalho analisa Aquarius (2016), de Kleber Mendonça Filho, e Piedade (2019), de Cláudio Assis. Ambientadas em Pernambuco, as obras articulam, a partir de diferentes projetos estéticos, discussões relacionadas ao avanço da especulação imobiliária e à mercantilização do espaço urbano. Diante disso, coloca-se o seguinte problema de pesquisa: de que modo esses filmes constroem esteticamente o espaço urbano como campo de conflito simbólico da memória cultural frente aos processos contemporâneos de mercantilização? O objetivo geral da pesquisa consiste em compreender como o cinema neorregionalista urbano pernambucano elabora estética e simbolicamente o espaço e a memória cultural em Aquarius e Piedade, considerando a cidade como lugar de tensão entre permanência, ruína e mercantilização. Para tanto, estabelecem-se os seguintes objetivos específicos: analisar a relação entre a literatura regionalista e o cinema neorregionalista, no que tange às transformações estéticas e narrativas; contextualizar o cinema neorregionalista brasileiro contemporâneo a partir de outras obras representativas; analisar o espaço urbano como representação estética e simbólica diante da especulação imobiliária e da mercantilização da cidade; e analisar de que modo os corpos, os objetos e as práticas cotidianas se configuram como suportes da memória cultural no contexto urbano nordestino. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e interpretativa, de natureza teórico-analítica, voltada à análise fílmica das duas obras. A abordagem metodológica privilegia a interpretação das formas de construção do espaço urbano, da memória cultural e da experiência sensível no cinema neorregionalista contemporâneo. Como referencial teórico, mobilizam-se as categorias espaciais do neorregionalismo propostas por Herasmo Braga (2021), as reflexões sobre espaço e sujeito desenvolvidas por Yi-Fu Tuan (1983), Gaston Bachelard (1993) e Milton Santos (2006), os estudos sobre memória cultural de Ecléa Bosi (1994) e Aleida Assmann (2011), as discussões acerca da mercantilização do espaço urbano formuladas por David Harvey (2014) e Raquel Rolnik (2015), bem como as reflexões sobre cotidiano, corpo e materialidade elaboradas por Michel de Certeau (1998), David Le Breton (2007) e Walter Benjamin (1987). A análise fílmica realizou-se por meio de visionamento sistemático orientado por diferentes focos de observação, tendo como base a segmentação do enredo proposta por David Bordwell e Kristin Thompson (2013), além das contribuições de Ismail Xavier (2003) e Marcel Martin (2005). No primeiro capítulo, realizou-se uma discussão teórica acerca dos fundamentos e das relações entre literatura, cinema e neorregionalismo, culminando na análise da linguagem cinematográfica de Kleber Mendonça Filho e Cláudio Assis, bem como de outras obras brasileiras convergentes com a estética neorregionalista. No segundo, discutiu-se a experiência do espaço em Aquarius, que se vincula predominantemente ao interior, isto é, ao apartamento, e em Piedade, cujo exterior passa a dominar a mise-en-scène. No terceiro capítulo, destacou-se que a memória cultural expressa nos audiovisuais, por meio dos corpos, dos objetos e do cotidiano, desdobra-se em duas instâncias centrais: a permanência e o colapso, trabalhadas, respectivamente, em Aquarius e Piedade.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 2676289 - CLAUDIO AUGUSTO CARVALHO MOURA
Presidente - 836.***.***-00 - HERASMO BRAGA DE OLIVEIRA BRITO - UESPI
Externo à Instituição - 746.***.***-34 - JOSE WANDERSON LIMA TORRES - UESPI

Cadastrada em: 17/06/2026
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