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Banca de DEFESA: LARA FERREIRA SILVA DIAS
Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: LARA FERREIRA SILVA DIAS
DATA: 28/08/2026
HORA: 14:30
LOCAL: DEFESA DE TESE
TÍTULO: A cegueira moral na ficção de Michel Houellebecq: uma análise da forma romanesca em Plataforma (2001), Submissão (2015) e Serotonina (2019)
PALAVRAS-CHAVES: Michel Houellebecq; cegueira moral; adiaforização; romance contemporâneo; ética.
PÁGINAS: 186
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Letras
RESUMO:

Esta tese investiga de que modo a cegueira moral se formaliza na ficção de Michel Houellebecq, a partir da análise da forma romanesca em Plataforma (2001), Submissão (2015) e Serotonina (2019). O argumento central sustenta que, nessas obras, a cegueira moral não se confunde com a incapacidade de ver o sofrimento, a violência ou a degradação dos vínculos humanos. Os narradores percebem com nitidez o sofrimento, a violência e a degradação dos vínculos humanos, descrevendo, classificando e interpretando o mundo que os cerca. O que falha é a passagem entre percepção e resposta ética: aquilo que é percebido não se transforma em cuidado, responsabilidade ou ação. Para desenvolver essa leitura, a pesquisa articula os conceitos de cegueira moral e adiaforização, formulados por Zygmunt Bauman e Leonidas Donskis, ao pensamento de Arthur Schopenhauer, ao pensamento de Arthur Schopenhauer, sobretudo no que diz respeito ao sofrimento e à compaixão como fundamento da resposta moral. No campo da crítica literária, o trabalho dialoga sobretudo com Carole Sweeney, Ben Jeffery, Agathe Novak-Lechevalier e Douglas Morrey, cujas interpretações ajudam a compreender a relação entre desespero, realismo depressivo, mercado do desejo, consolação paradoxal e crise da experiência contemporânea na obra houellebecquiana. A análise demonstra que a cegueira moral se formaliza por meio da secura estilística, na monotonia tonal, na neutralidade narrativa e no uso de vocabulários técnicos, econômicos, jurídicos, institucionais ou clínicos para tratar da intimidade, do corpo, do desejo, da fé, da doença e da morte. Em Plataforma (2001), essa operação se vincula ao turismo, ao mercado sexual e à transformação da alteridade em consumo. Em Submissão (2015), desloca-se para a universidade, a política, a religião e o cálculo institucional. Em Serotonina (2019), atinge sua forma mais extrema na medicalização do sofrimento, na falência da cultura como formação moral e no reconhecimento tardio da perda do amor. Sustenta-se, assim, que Houellebecq constrói formalmente uma experiência contemporânea marcada pela dissociação entre lucidez e consequência ética: seus narradores percebem os sinais do sofrimento, do amor e da perda, mas permanecem incapazes de convertê-los em responsabilidade. 


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1550705 - LUIZIR DE OLIVEIRA
Interno - 969.***.***-04 - ALCIONE CORREA ALVES - UFRR
Interno - 3473656 - FRANCISCA CAROLINA LIMA DA SILVA
Externo ao Programa - 1891365 - TIAGO BARBOSA SOUZA
Externo à Instituição - 024.***.***-40 - JIVAGO ARAÚJO HOLANDA RIBEIRO GONÇALVES - UESPI

Cadastrada em: 25/08/2026
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