O índice de prioridade de conservação (IPC) constitui uma ferramenta quantitativa, utilizada para identificar espécies vegetais locais que demandam de atenção em estratégias de manejo e conservação. Este estudo teve como objetivo identificar espécies medicinais lenhosas prioritárias para conservação em um ecótono Cerrado–Caatinga, localizado na comunidade Ausente, município de Barão de Grajaú, Maranhão, integrando abordagens etnobotânicas, ecológicas e socioeconômicas. Foram aplicadas entrevistas semiestruturadas com 107 moradores, sendo 54 mulheres e 53 homens, com idades entre 18 e 85 anos, registrando-se as espécies citadas, suas finalidades terapêuticas e o modo de uso. Paralelamente, foi realizado um levantamento fitossociológico em uma área de vegetação nativa, no qual os dados foram obtidos por meio do método de parcelas, em uma área de estudo de 10.000m² (100x100 m), subdivididos em quatro parcelas de 2.500m² (50x50 m). Com posterior cálculo do Índice de Prioridade de Conservação (IPC), considerando o escore biológico e o risco de utilização. As variáveis socioeconômicas foram analisadas por meio de modelos lineares generalizados (GLM), a fim de avaliar sua influência sobre o conhecimento local acerca das espécies medicinais citadas. Foram registradas oito espécies com alta prioridade para a conservação local. Hymenaea stigonocarpa Mart. ex Hayne, Lafoensia replicata Pohl, Anacardium humile A.St.-Hil., Plathymenia reticulata Benth, Machaerium acutifolium Vogel, Psidium sp, Terminalia glabrescens Mart e Pterodon emarginatus Vogel. Além disso observou-se efeito estatisticamente significativo das variáveis idade, renda e escolaridade sobre o número de espécies conhecidas, evidenciando que fatores socioculturais influenciam a distribuição do conhecimento tradicional. O gênero, por sua vez, não apresentou diferenças significativas.