A vegetação é fundamental para o ciclo global do carbono, e mudanças em sua composição e estrutura podem comprometer serviços ecossistêmicos essenciais, como o armazenamento de carbono, contribuindo para o agravamento das mudanças climáticas em escalas locais e globais. Diante do exposto, a dissertação está organizada em dois capítulos. Este estudo foi realizado em áreas de ecótono de Cerrado e Caatinga, especificamente em áreas submetidas a diferentes tipos de manejos em uma região com maior influência da vegetação de Cerrado. No capítulo 1, intitulado “Avaliação do efeito do cultivo itinerante na diversidade da vegetação lenhosa e do estoque de carbono em área de ecótono de Cerrado e Caatinga do Nordeste brasileiro”, tivemos como objetivo investigar o efeito da diversidade taxonômica, funcional e filogenética, bem como a contribuição das espécies anemocóricas, autocóricas e zoocóricas no estoque de carbono da comunidade arbórea e arbustiva em diferentes tempos de pousio. De forma mais específica acreditamos que: (i) O estoque de carbono aumente com o avanço da regeneração; (ii) Ocorrerá o incremento na diversidade taxonômica, funcional e filogenética ao longo da regeneração; (iii) As métricas de diversidade taxonômica, funcional e filogenética são boas preditoras para prever o estoque de carbono; e (iv) Espécies zoocóricas contribuem mais para o estoque de carbono em comparação com espécies anemocóricas e autocóricas. Verificamos que um período de regeneração de 35 anos após a interrupção da agricultura itinerante é suficiente para que os estoques de carbono se tornem semelhantes aos observados em áreas sem manejo. Constatamos que 18 anos de regeneração em áreas anteriormente submetidas à agricultura itinerante já são suficientes para restaurar os níveis de riqueza de espécies, bem como a diversidade funcional e filogenética da vegetação arbórea-arbustiva. Concluímos também que, tanto a riqueza taxonômica, quanto a diversidade filogenética apresentam bom desempenho como indicadores da estocagem de carbono ao longo da regeneração. As síndromes de anemocoria e zoocoria se mostram igualmente importantes, pois ambas contribuem para o acúmulo de carbono em áreas de Cerrado pós-agricultura itinerante. No capítulo 2, intitulado “Influência das palmeiras e das estratégias dispersão da vegetação lenhosa no estoque de carbono em áreas de murundus em um ecótono Caatinga–Cerrado”, avaliamos como a presença de Copernicia prunifera (Mill.) HEMoore (carnaúba) e Astrocaryum vulgare Mart. (tucum) nos murundus influenciam o estoque de carbono em uma região ecotonal entre Cerrado e Caatinga. Nesta pesquisa acreditamos que: (i) Murundus com presença de palmeiras apresentam maior estoque de carbono em comparação aos murundus sem palmeiras; (ii) A presença de palmeiras aumenta a riqueza de espécies zoocóricas em relação às espécies anemocóricas e autocóricas; (iii) Espécies zoocóricas apresentam maior área basal e maior densidade da madeira quando comparadas às espécies anemocóricas e autocóricas; (iv) Em murundus com presença de palmeiras, as espécies zoocóricas contribuem mais para o estoque de carbono do que espécies anemocóricas e autocóricas. Evidenciamos que a presença de C. prunifera e A. vulgare não se refletiu em diferenças no estoque de carbono nos murundus. Em contrapartida, esses ambientes apresentaram maior representatividade de espécies zoocóricas, as quais se caracterizaram por maiores valores de diâmetro e maior estoque de carbono. Em conjunto, esses resultados indicam que os murundus funcionam como ilhas de vegetação associadas à fauna dispersora, evidenciando sua relevância ecológica e a necessidade de que esses ambientes sejam considerados em estratégias de conservação e em políticas de proteção.