Vespas parasitoides são insetos que durante a fase larval, desenvolvem-se alimentando de um hospedeiro, podendo matá-lo imediatamente ou permitindo seu desenvolvimento. Esses insetos possuem importância econômica e ecológica, pois atuam como indicadores de qualidade ambiental e no controle biológico de pragas. Apesar disso, este grupo ainda possui muitas lacunas de conhecimento relacionado a taxonomia, distribuição e ecologia. Deste modo, este estudo propõe investigar a diversidade taxonômica e funcional das vespas de Darwin (Ichneumonidae) no Parque Municipal Lagoa Azul, São Desidério, Bahia, comparando os períodos chuvoso e de estiagem. Foram realizadas seis coletas no período chuvoso (dezembro de 2023, janeiro, fevereiro, dezembro de 2024, janeiro e fevereiro de 2025) e seis coletas no período de estiagem (junho, julho e agosto de 2024 e 2025), totalizando 72 amostras. Foram utilizadas seis armadilhas de interceptação de voo (Malaise). No total foram identificados 1.065 indivíduos distribuídos em 23 subfamílias, 43 gêneros, seis espécies e 215 morfoespécies. Cryptinae foi a subfamília mais abundante (36,16%), seguida de Pimplinae (17,06%), Orthocentrinae (8,01%), e Anomaloninae (7,92%). A análise de rarefação baseada nos períodos apresentou maior riqueza em espécies para o período chuvoso, com 65,38% da riqueza esperada, enquanto o período de estiagem apresentou apenas 28,48% da riqueza estimada de Ichneumonidae no Parque. O período chuvoso correspondeu a 80, 28% de toda a diversidade encontrada nesse estudo demonstrando diferença acentuada na composição (P< 0.01), sendo essa foi diferença explicada principalmente pela perda de espécies (βnes=0.536) do período chuvoso para o período de estiagem. A diversidade funcional apresentou um padrão oposto ao observado na diversidade taxonômica. A composição funcional geral da comunidade manteve-se estável entre os períodos chuvoso e de estiagem (P > 0,10), sugerindo que apesar da perda de espécies, as estratégias de parasitismo foram mantidas. A composição funcional baseada nas guildas parasitoides não diferiu entre os períodos (P>0,05). Embora o tamanho da asa tenha apresentado maior amplitude de variação no período chuvoso, as médias foram muito próximas entre os períodos (chuvoso: 7,02 ± 1,57; estiagem: 6,33 ± 1,79), não resultando em diferenças expressivas entre os períodos (P= 0,05). O comprimento do ovipositor foi o atributo que apresentou a diferença mais acentuada entre os períodos (P < 0,01), com maior variação entre as espécies registradas no período chuvoso. Concluímos que embora o período chuvoso favoreça uma maior diversidade taxonômica e uma maior variação no comprimento do ovipositor, associadas a uma exploração mais ampla do habitat, a resposta funcional da comunidade à sazonalidade não foi uniforme para os demais atributos analisados. Assim, a sazonalidade atua como um importante modulador da diversidade, mas não impõe um único conjunto de atributos funcionais dominantes, uma vez que comunidades de parasitoides são funcionalmente diversas e nem todas as espécies respondem aos fatores ambientais da mesma forma ou na mesma intensidade. Este estudo reforça a importância de abordagens integrativas que considerem simultaneamente a diversidade taxonômica e funcional para compreender a estruturação de comunidades de parasitoides em ambientes sazonais, contribuindo para o avanço do conhecimento ecológico e potencialmente nas estratégias de conservação em regiões tropicais.