Os escorpiões do gênero Physoctonus são animais arborícolas encontrados principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, com registros concentrados nos biomas Caatinga e Cerrado. Atualmente, o gênero inclui três espécies descritas: Physoctonus debilis, Physoctonus striatus e Physoctonus amazonicus. Embora o grupo tenha sido revisado recentemente, ainda persistem importantes questões taxonômicas, especialmente relacionadas à descrição original e à validade das espécies P. striatus e P. amazonicus. Essas incertezas refletem limitações em amostragens anteriores e no uso de caracteres diagnósticos baseados em poucos exemplares, o que mantém em aberto dúvidas sobre quantas espécies realmente compõem o gênero e como elas se distribuem ao longo do território brasileiro. Além dos problemas taxonômicos, as áreas onde esses escorpiões ocorrem vêm sofrendo intensos impactos decorrentes do desmatamento, da fragmentação de habitats e das mudanças climáticas, fatores que podem comprometer seriamente a sobrevivência dessas espécies no médio e longo prazo. Como se tratam de escorpiões estritamente arborícolas, dependentes da vegetação para alimentação, abrigo e reprodução, alterações na estrutura e na disponibilidade de habitats tendem a afetar diretamente suas populações. Neste trabalho, foi realizada uma revisão taxonômica detalhada das espécies de Physoctonus, combinando diferentes linhas de evidência, incluindo a análise de caracteres morfológicos, dados morfométricos e informações moleculares. Essa abordagem integrativa permitiu uma reavaliação das espécies e resultou na redefinição de dois táxons, P. debilis e P. striatus, contribuindo para a estabilização taxonômica do gênero. Paralelamente, foram utilizados modelos de nicho ecológico para estimar as áreas ambientalmente adequadas para essas espécies no presente e projetar possíveis mudanças em sua distribuição sob cenários futuros de aquecimento global. Os resultados indicam que que as mudanças climáticas podem reduzir ou modificar significativamente as áreas onde esses escorpiões conseguem sobreviver. Em conjunto, esses resultados reforçam a importância de abordagens integrativas em estudos taxonômicos e fornecem informações relevantes para o planejamento de estratégias de conservação, além de contribuírem para o aprimoramento do conhecimento sobre a biodiversidade de escorpiões brasileiros.