A pesquisa insere-se no debate sobre os processos de uso e ocupação da terra no Brasil,
historicamente marcados por um modelo de exploração predatória e na concentração fundiária.
Essa estrutura desigual, está consolidada desde o período colonial e é reforçada por marcos
como a Lei de Terras de 1850, condiciona a apropriação do território e gera conflitos
socioambientais. No Maranhão, essa dinâmica é agravada pela expansão da fronteira agrícola,
o Matopiba, que pressiona os recursos naturais e as comunidades tradicionais. O foco deste
estudo é a Região Imediata de Codó (incluindo Coroatá, Peritoró e Timbiras), onde o Rio
Itapecuru desempenha papel vital, mas sofre com o desmatamento e o avanço desenfreado da
agropecuária nos últimos 40 anos. O objetivo geral da pesquisa é analisar as mudanças de uso
da terra nas APPs em função da estrutura fundiária na região imediata de Codó-MA, abrangendo
o período entre 1986, 2005 e 2024. O estudo adota uma abordagem quali-quantitativa,
estruturada em três frentes principais: Levantamento bibliográfico e documental, na análise de
autores clássicos e legislação ambiental; Trabalho de gabinete na utilização do software QGIS
para processar dados do IBGE, ANA, MapBiomas, foi aplicada álgebra de mapas e ferramentas
de buffer variável para delimitar as APPs conforme as larguras do leito do rio e a Visita em
campo. Os resultados parciais revelam um cenário crítico de degradação ambiental nas margens
do Rio Itapecuru, a análise temporal entre 1986 e 2024 indicou, que a supressão vegetal sofreu
perdas superiores a 90% em todas as faixas de APP analisadas, na área antrópica houve um
crescimento exponencial do Mosaico de Usos e das pastagens, que avançaram sobre áreas
legalmente protegidas.