Os transtornos alimentares (TAs) consistem em graves condições
psiquiátricas caracterizadas por alterações persistentes nos hábitos alimentares, nas práticas
relacionadas à alimentação e nas abordagens sobre o controle de peso, de etiologia multifatorial,
que envolvem fatores genéticos, psicológicos e/ou socioculturais. O presente estudo tem como
objetivo investigar o consumo de alimentos, índice da qualidade da dieta e transtornos alimentares
em universitários de Nutrição de instituições de ensino pública e privadas na cidade de Teresina –
PI, pós-pandemia. O estudo foi transversal, realizado com estudantes de nutrição de faculdades
particulares e uma universidade pública da cidade de Teresina, Piauí. Para caracterização da
amostra, foram coletadas as informações: sexo, idade, estado civil, cor, renda familiar, estado
nutricional, risco de transtornos alimentares e consumo alimentar. Os participantes assinaram um
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) autorizando a sua participação antes da
realização dos testes. Os resultados mostraram que 24,6% dos estudantes apresentaram risco para
transtornos alimentares. A maioria dos participantes era do sexo feminino, com média de idade
entre 21 e 22 anos. Observou-se consumo frequente tanto de alimentos in natura ou minimamente
processados (como arroz, feijão, frutas e verduras) quanto de alimentos com altos teores de
gordura e sódio (pizza, salgados fritos, refrigerantes e doces). A pontuação média do IQD-R foi de
71,8 pontos, indicando boa qualidade da dieta, com destaque para os componentes frutas totais,
carnes, leite e derivados. Concluiu-se que, embora a qualidade geral da dieta tenha sido classificada
como boa, houve risco significativo (OR =1,17) para transtornos alimentares entre os estudantes
de Nutrição, reforçando a necessidade de estratégias de intervenção voltadas à promoção da
saúde mental, equilíbrio alimentar e qualidade de vida no ambiente universitário.