Introdução: Os Transtornos Mentais Comuns na adolescência constituem um importante problema de saúde pública devido à sua elevada prevalência, impacto no desenvolvimento biopsicossocial e potencial de persistência ao longo da vida. Entre os fatores associados à saúde mental dos adolescentes, destacam-se os comportamentos relacionados ao estilo de vida. Objetivo: Avaliar os fatores determinantes da saúde mental de adolescentes, analisando associações entre sintomas de ansiedade e depressão e a insegurança alimentar, aspectos psicológicos, comportamentais, antropométricos e o consumo de alimentos. Métodos: Estudo transversal, de base escolar, com amostragem probabilística, realizado com adolescentes de 12 a 17 anos matriculados em escolas públicas de Teresina, Piauí. Os sintomas depressivos foram avaliados pelo Inventário de Depressão de Beck-II e utilizou-se o Depression, Anxiety and Stress Scale - Short Form (DASS-21) para medir e diferenciar os sintomas de ansiedade e depressão. Os marcadores alimentares foram obtidos por frequência semanal de consumo (≥5 dias/semana). As associações foram estimadas por regressão de Poisson com variância robusta, considerando o delineamento complexo da amostra, sendo calculadas razões de prevalência brutas e ajustadas. Resultados: A prevalência de sintomas depressivos moderados a graves foi de 38,53%. Após ajuste, permaneceram associados à maior prevalência do desfecho o sexo feminino, a baixa autoestima, a sonolência diurna excessiva, o tabagismo do responsável, o tempo de tela entre 2,0 e 2,9 horas por dia e o uso de redes sociais por três horas ou mais ao dia. As variáveis antropométricas não apresentaram associação estatisticamente significativa. Em relação aos marcadores alimentares, a associação inversa entre o consumo regular de feijão e os sintomas depressivos perdeu significância na amostra total após ajuste para potenciais fatores de confusão (RP=0,95; IC95%:0,88–1,01). Entretanto, foi identificada modificação de efeito pelo sexo (p-interação=0,026). Nas análises estratificadas, o consumo regular de feijão permaneceu independentemente associado à menor prevalência de sintomas depressivos apenas entre as meninas (RP=0,87; IC95%:0,79–0,95), enquanto os marcadores alimentares não apresentaram associações independentes. Conclusão: Os sintomas depressivos apresentaram elevada prevalência entre adolescentes escolares e estiveram associados principalmente a fatores individuais, familiares e comportamentais. Além disso, observou-se que a associação entre o consumo regular de feijão e a menor prevalência de sintomas depressivos em meninas. Os achados reforçam a necessidade de estratégias intersetoriais de promoção da saúde mental e da alimentação saudável no ambiente escolar, considerando atuação integrada sobre múltiplos fatores determinantes da saúde do adolescente.