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Introdução: A morfologia dos canais em C em segundos molares inferiores é complexa e variável, podendo influenciar o risco de desgaste excessivo e perfuração radicular, principalmente na região do sulco radicular. Este estudo investigou a prevalência e as características morfométricas em cinco níveis axiais desses canais em uma população brasileira. Métodos: A amostra foi composta por 666 imagens de TCFC avaliadas por um operador treinado. A menor espessura dentinária das paredes voltada para a concavidade do sulco foi mensurada em cinco níveis axiais, em três zonas. Modelos lineares mistos com intercepto aleatório por paciente avaliaram o efeito do nível axial e variáveis clínicas. Adotou-se nível de significância de 5%. Resultados: A prevalência de canais em C foi 12,6%, maior no sexo feminino (p=0,020). A espessura dentinária variou significativamente entre os níveis (F=131,576; p<0,001). As médias ajustadas (IC95%) foram: nível A = 1,985 mm (1,888–2,081), D = 1,144 mm (1,050–1,239), B = 0,971 mm (0,876–1,066), E = 0,931 mm (0,833–1,029) e C = 0,840 mm (0,683–0,996). O nível A apresentou valores superiores a todos os demais (p<0,001). Nenhuma das variáveis clínicas avaliadas demonstrou associação estatisticamente significativa com a espessura dentinária mínima após ajuste multivariado. Os componentes de variância indicaram variabilidade significativa entre pacientes, com ICC aproximado de 31%. Conclusão: A prevalência de canais em C foi de 12,6%, sendo maior no sexo feminino. Observou-se redução progressiva da espessura da região cervical para as porções média e apical da raiz, com menores valores nos níveis médio-apicais. |