A presente dissertação tem como objeto de estudo a sub-bacia do Rio Longá, no município de Barras (PI), a aproximadamente 120 km da capital Teresina. A área investigada é marcada por intensos processos de ocupação urbana e uso do solo, que têm provocado alterações significativas na paisagem e intensificado os impactos ambientais locais. Nesse contexto, a pesquisa justifica-se pela necessidade de compreender os efeitos das ações antrópicas sobre a dinâmica socioambiental da sub-bacia, contribuindo para a formulação de estratégias voltadas à conservação ambiental e à gestão territorial sustentável. O estudo fundamenta-se em referenciais da Geografia e das Ciências Ambientais que abordam a relação sociedade–natureza, a produção do espaço e a gestão de bacias hidrográficas. Destacam-se contribuições de Santos (2008), Dardel (1990), Tuan (2018) e Tucci (2008), além de estudos regionais desenvolvidos por Araújo (2008, 2009), Andrade (2007), Carneiro e Façanha (2015), que subsidiam a contextualização socioambiental da área de estudo. Complementam essa base dados e diretrizes institucionais do IBGE (2022), INMET (2023) e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, utilizados como suporte à análise ambiental e territorial. O objetivo geral da pesquisa consiste em analisar os impactos das ações antrópicas associadas ao uso e à ocupação do solo na sub-bacia do Rio Longá, no município de Barras (PI), identificando áreas ambientalmente vulneráveis e propondo diretrizes voltadas à conservação ambiental e à gestão territorial sustentável. De forma específica, buscou-se: caracterizar os aspectos físicos, ambientais e o uso e ocupação do solo na sub-bacia do Rio Longá, com base em dados cartográficos e institucionais; registrar e analisar os impactos ambientais decorrentes das ações antrópicas, com ênfase nos processos de desmatamento e em suas consequências sobre o clima local; e interpretar, a partir das falas dos moradores ribeirinhos e de representantes do poder público, como as transformações ambientais são vivenciadas no cotidiano local, propondo estratégias de adaptação e mitigação dos impactos socioambientais identificados. A metodologia adotada combinou revisão bibliográfica, análise de bases de dados secundários e o uso de geotecnologias, com destaque para os softwares QGIS e ArcGIS e a cartografia temática, apoiada por imagens de satélite e fotografias aéreas, empregadas na elaboração de mapas temáticos multitemporais. Foram realizadas visitas de campo e entrevistas semiestruturadas com 60 moradores, correspondendo a aproximadamente 10% da população da área de estudo, além de representantes de instituições públicas. Os dados foram sistematizados de forma qualitativa e quantitativa, buscando identificar padrões de impacto e articulações entre uso do solo, dinâmica socioambiental e gestão territorial. Os resultados evidenciaram que práticas como o desmatamento, o descarte inadequado de resíduos sólidos, as ocupações irregulares e a agricultura nas proximidades dos corpos hídricos configuram-se como os principais vetores de degradação ambiental na sub-bacia. As entrevistas revelaram o reconhecimento crescente, por parte da população local, dos prejuízos ambientais e da urgência na adoção de medidas de controle, recuperação e conservação ambiental. Como contribuição técnica e educacional, foi elaborado um portfólio digital interativo, composto por mapas georreferenciados e registros fotográficos, disponibilizado por QR Code, com o propósito de subsidiar políticas públicas, o planejamento territorial e ações de educação ambiental no município de Barras (PI).