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Banca de QUALIFICAÇÃO: SÁVIA LORENA BARRETO CARVALHO DE SOUSA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: SÁVIA LORENA BARRETO CARVALHO DE SOUSA
DATA: 19/06/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Sala Virtual
TÍTULO: ENTRE O DISCURSO E O PODER: ESTRUTURA, BARREIRAS E ASCENSÃO FEMININA NO EXECUTIVO DO PIAUÍ
PALAVRAS-CHAVES: gênero e poder; Executivo estadual; teto de vidro orçamentário; familismo político; recrutamento político; Piauí.
PÁGINAS: 116
GRANDE ÁREA: Ciências Sociais Aplicadas
ÁREA: Serviço Social
RESUMO:

A sub-representação feminina nos cargos de primeiro escalão do Poder Executivo
estadual brasileiro permanece insuficientemente explicada pela literatura de gênero e políticas
públicas, especialmente no contexto nordestino. Esta tese analisa os mecanismos estruturais
que condicionam o acesso de mulheres ao alto escalão do Executivo do estado do Piauí, com
foco comparativo nos governos Wellington Dias (2019–2022) e Rafael Fonteles (2023–2026),
investigando por que a sub-representação persiste independentemente da orientação
ideológica dos governantes — padrão aqui denominado transideológico.
O estudo objetiva identificar e caracterizar os mecanismos de recrutamento em
operação nos dois mandatos, analisar a distribuição de gênero entre as pastas de maior e
menor peso orçamentário e compreender de que forma as estruturas do campo político
piauiense condicionam as trajetórias das mulheres que chegam ao primeiro escalão. A
pesquisa adota abordagem qualitativa de base interpretativa, combinando análise
prosopográfica dos dois secretariados, análise documental de registros no Diário Oficial do
Estado e dados da Lei Orçamentária Anual (LOA/PLOA) do período 2019–2026, entrevistas
com atores detentores de conhecimento privilegiado sobre os mecanismos informais de
recrutamento e observação sistemática não estruturada fundamentada na trajetória profissional
jornalística da pesquisadora. A Narrativa de Vida proposta por Bertaux (2010) constitui o
instrumento metodológico central de acesso à perspectiva subjetiva das gestoras, articulando a
dimensão biográfica ao quadro analítico estrutural.
O referencial teórico mobiliza os conceitos bourdiusianos de campo, habitus e capitais
— com especial atenção à dominação masculina e à violência simbólica — para analisar os
condicionantes estruturais da ascensão feminina. A esse arcabouço articula-se o contrato
sexual de Carole Pateman (1988), que fundamenta a análise da exclusão das mulheres da
esfera pública, o familismo político de Moura (2019), as gramáticas políticas de Nunes (1997)
e a análise de Federici (2017) sobre a divisão histórica entre trabalho produtivo e reprodutivo,
categoria que sustenta a interpretação da segregação horizontal identificada empiricamente.
Os resultados demonstram que os mecanismos de recrutamento — capital político-
partidário, patronagem parlamentar, redes de parentesco e conjugalidade e capital social de
socialização escolar — operam de forma articulada e generificada nos dois governos,
conduzindo sistematicamente as mulheres às pastas de menor dotação orçamentária e menor
centralidade decisória. Em 2025, as três maiores pastas setoriais do Executivo piauiense,

representando R$ 8,164 bilhões em orçamento, estavam integralmente sob gestão masculina,
embora as mulheres ocupassem aproximadamente 26,7% dos cargos do primeiro escalão. A
tese introduz o conceito original de teto de vidro orçamentário para nomear esse padrão,
deslocando o debate da representação numérica para a distribuição material de poder e
recursos. O conceito não descreve apenas uma hierarquia de prestígio entre pastas, mas um
mecanismo estrutural de contenção: as mulheres ingressam no campo, mas são alocadas em
posições que não convertem presença em poder decisório sobre o orçamento estatal.
A pesquisa demonstra ainda que o familismo político opera no Executivo com uma
dimensão generificada não documentada anteriormente: as redes familiares inserem as
mulheres no campo político, mas as conduzem às posições historicamente associadas ao
universo do cuidado — educação, assistência social, saúde —, e não ao poder econômico.
Esse padrão, verificado nos dois governos investigados, constitui evidência empírica do
caráter transideológico da exclusão de gênero no aparato estatal piauiense: o discurso de
equidade coexiste com a reprodução estrutural da desigualdade.
A pesquisa conclui que a desigualdade de gênero no Executivo piauiense é de natureza
estrutural, ancorada em mecanismos informais de recrutamento que nenhuma alternância de
liderança tem sido capaz de modificar. Políticas de equidade de gênero precisam, portanto,
incidir diretamente sobre esses mecanismos — e não apenas sobre a representação formal —
para produzir efeitos substantivos e duradouros.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - 805.***.***-53 - MICHELLE VIEIRA FERNANDEZ DE OLIVEIRA - UnB
Presidente - 1133769 - OLIVIA CRISTINA PEREZ
Interno - 2259811 - ROSILENE MARQUES SOBRINHO DE FRANÇA
Notícia cadastrada em: 11/06/2026 10:06
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