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A presente pesquisa propõe-se a analisar o noticiário de assuntos internacionais veiculado no jornal Correio da Manhã (RJ), periódico da grande imprensa fluminense, acerca da Questão Palestina, no recorte temporal que vai de fevereiro de 1947 a maio de 1948, portanto às vésperas da Primeira Guerra Árabe-Israelense (1948–1949), primeiro conflito militar de grandes proporções ocorrido entre palestinos e judeus. Objetiva-se compreender de que maneira a versão narrada por esse jornal, de circulação nacional, dialoga com a construção de representações sobre o conflito, à luz da relação entre História e representações proposta por Roger Chartier (2002). Além disso, busca-se refletir sobre o caráter do noticiário internacional enquanto instância de produção ideológica, mobilizando as categorias gramscianas de ideologia, aparelho privado de hegemonia e intelectualidade orgânica, considerando tanto o periódico enquanto ente institucional quanto seus produtores diretos, os jornalistas. A pesquisa estrutura-se de modo a discutir as particularidades da fonte, em diálogo com autores como José D’Assunção Barros (2023) e Sônia Maria de Meneses Silva (2011), ao mesmo tempo em que se debruça sobre as representações construídas acerca dos momentos-chave da escalada de tensões na Palestina, que conduziram ao conflito armado. Dessa forma, a investigação insere-se no campo teórico-metodológico dos estudos de História e Imprensa no Brasil, beneficiando-se das contribuições de De Luca (2008), Figueiredo (1998), Barros (2023) e Ribeiro (2000; 2003). |