O presente trabalho tem como objetivo compreender como se deu a construção da memória de Vargas no cinema documentário no período de crise política institucional e eleitoral de 2018, sabendo que o país atravessava uma ruptura na experiência democrática política e institucional. Para isso, tomamos como objeto de pesquisa o documentário Era Vargas: Crepúsculo de um Ídolo (2018) e Getúlio do Brasil (2019). Acrescentamos a metodologia fontes jornalísticas, blogs acadêmicos, artigos científicos e análises políticas do presente. Nas obras, o passado getulista é ressignificado a partir de imagens de arquivos, ilustrações e imagens de campo que são ressignificadas visando encerrar um novo discurso cinematográfico. Assim, o documentário é tomado com espaço para conservação e transmissão da memória, onde refletimos sobre como esse passado foi instrumentalizado, estabelecendo um diálogo entre História, memória e cinema levando em consideração a conjuntura política e histórica de sua produção e exibição. Para tanto, alinhamos as reflexões teóricas e historiográficas como, José Murilo de Carvalho (2012) Nathielly de Araújo Silva (2024), Luiz Antônio Dias e Rosemary Segurado (2016), Marcos Napolitano (2025) Maria Helena Capelato (2009), René Remond (2003), Michael Pollak (1999) Sergein Berstein (1998) que apresentam os conceitos de memória, poder e cultura política para entendermos o nosso passado e presente. Portanto, o filme Era Vargas: Crepúsculo de um Ídolo propõe uma ruptura com o passado sem diálogo com a historiografia, enquanto o Getúlio do Brasil louva a Getúlio mantendo uma abordagem de diálogo com a historiografia, com o passado e as memórias históricas. Ambos apresentam limites e perspectivas para a análise historiográfica, possibilitando compreender as disputas narrativas e ideológicas que os engendraram.