A presente dissertação analisa a formação e a expansão das ocupações irregulares na região do Grande Dirceu, na zona sudeste de Teresina, investigando em que medida essa expansão revelou os limites das políticas habitacionais e a capacidade de organização dos trabalhadores na produção de seu próprio espaço de moradia. O estudo abrange o período de 1980 a 2000, as raízes das transformações urbanas, e examina as dinâmicas de expulsão do campo, as formas de apropriação do solo e a reconfiguração territorial da Zona Sudeste. Metodologicamente, a pesquisa articula a análise de fontes hemerográficas (como os jornais O Dia e Diário do Povo) e de documentos oficiais (relatórios censitários do IBGE, PDLI e PET) ao uso da História Oral, por meio de entrevistas com moradores e antigos ocupantes que participaram diretamente da fundação dessas áreas. A fundamentação teórica apoia-se nas contribuições de Pesavento (2005) sobre as múltiplas dimensões da cidade, de Michel de Certeau (1998) acerca das táticas cotidianas, e de Lefebvre (2008) sobre o direito à cidade. A pesquisa dialoga, ainda, com a historiografia local, como os estudos de Monte (2010) sobre a Teresina da segunda metade do século XX, e a pesquisa de Fontineles e Sousa Neto (2017) sobre a formação e consolidação do Grande Dirceu.