A gestação é um período marcado por alterações fisiológicas e metabólicas que elevam as demandas nutricionais maternas, tornando essencial um acompanhamento pré-natal qualificado. A nutrição adequada durante esse período contribui decisivamente para o desenvolvimento fetal, para a prevenção de complicações maternas e neonatais e para a redução da mortalidade materna, ainda elevada no Brasil e particularmente acentuada no Nordeste. Diante desse contexto, esta pesquisa teve como objetivo avaliar o estado nutricional de gestantes atendidas em Unidades Básicas de Saúde de um município do Piauí, bem como investigar fatores de risco nutricionais associados a desfechos gestacionais adversos. Trata-se de um estudo analítico e observacional com intervenção educativa, realizado entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, envolvendo 50 gestantes entre 12 e 38 semanas. As participantes foram divididas em dois grupos: um sem intervenção e outro com ações educativas em nutrição. Foram coletados dados sociodemográficos, clínicos, obstétricos, antropométricos e bioquímicos. Os resultados apontaram prevalência elevada de sobrepeso e obesidade nos dois grupos, indicando risco aumentado para complicações, como hipertensão e diabetes gestacional. A análise bioquímica revelou inadequações significativas em micronutrientes essenciais — especialmente ferro, ferritina, vitamina D, vitamina B12 e zinco — embora a maioria das gestantes apresentasse hemoglobina glicada dentro da normalidade. Esses achados evidenciam a importância do monitoramento nutricional contínuo e da ampliação de exames laboratoriais no pré-natal. Conclui-se que intervenções nutricionais sistematizadas e o fortalecimento das ações multiprofissionais nas UBS são fundamentais para melhorar os indicadores materno-infantis e contribuir para a redução da mortalidade materna no município estudado.