As infecções representam uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes oncológicos, comprometendo a continuidade do tratamento, prolongando internações e impactando negativamente a sobrevida e a qualidade de vida. Este estudo teve como objetivo analisar o perfil das infecções e os fatores associados aos desfechos clínicos em mulheres com câncer de mama e câncer do colo do útero atendidas em um hospital público de referência em oncologia no estado do Piauí, e elaborar um produto técnico voltado à prevenção e ao controle dessas complicações. Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo, documental, de abordagem mista, composto por uma etapa quantitativa baseada na análise de dados secundários de prontuários e registros institucionais e uma etapa qualitativa baseada em entrevistas com profissionais de saúde. Foram investigadas características sociodemográficas, clínicas, terapêuticas e relacionadas aos episódios infecciosos, utilizando análises estatísticas descritivas e inferenciais, além da análise de conteúdo temática. A revisão da literatura evidenciou que a imunossupressão decorrente do câncer e dos tratamentos antineoplásicos, associada ao uso de dispositivos invasivos, hospitalizações prolongadas e resistência antimicrobiana, aumenta significativamente a vulnerabilidade dos pacientes a complicações infecciosas. Destacam-se como estratégias essenciais para a redução desses eventos a adoção de boas práticas assistenciais, programas de prevenção e controle de infecções, educação permanente das equipes, educação em saúde para pacientes e familiares e uso racional de antimicrobianos. Como produto da pesquisa, foi desenvolvido um e-book com orientações baseadas em evidências e um relatório de boas práticas de enfermagem, destinados a subsidiar ações educativas e fortalecer a segurança do paciente oncológico. Espera-se que os resultados contribuam para o aprimoramento da assistência, a redução das complicações infecciosas e a qualificação do cuidado prestado aos pacientes oncológicos.