Esta dissertação analisa as representações constituídas sobre a Palestina baseada no que diz respeito as estratégicas geopolíticas, a ocupação israelense e as dinâmicas de resistência presentes na obra em quadrinhos Palestina, de Joe Sacco. Parte-se da compreensão de que os conflitos contemporâneos ultrapassam disputas estritamente territoriais e militares, manifestando-se também no campo das representações e narrativas, cabendo aos estudos da geografia política e da geopolítica utilizar essas representações como fonte de pesquisa. O estudo adota abordagem qualitativa, fundamentada na análise de conteúdo proposta por Bardin, articulada à interpretação da linguagem visual da arte sequencial. Inicialmente, contextualiza-se historicamente o conflito israelo-palestino e discutem-se os principais agentes geopolíticos envolvidos, bem como os fundamentos teóricos da geopolítica crítica e do território como categoria de poder e representação. Em seguida, investigam-se as potencialidades analíticas dos quadrinhos documentais como fonte de interpretação geopolítica. A análise da obra evidencia que a narrativa gráfica de Joe Sacco constrói uma contra-narrativa geopolítica ao deslocar o foco dos discursos institucionais para a experiência cotidiana da população palestina, revelando a fragmentação territorial, o controle da mobilidade, a vigilância dos corpos e as práticas de resistência coletiva e cotidiana. Conclui-se que os quadrinhos constituem fontes relevantes para a análise geográfica e geopolítica, ampliando possibilidades metodológicas e interpretativas no campo da geografia contemporânea.