Esta pesquisa discute a Educação do Campo a partir da formação continuada de professores de Geografia que atuam nos anos finais do Ensino Fundamental nas escolas do campo do município de Barras/PI. Parte-se da compreensão de que a formação docente constitui dimensão central para a materialização de práticas pedagógicas comprometidas com os princípios da Educação do Campo, especialmente no que se refere à valorização do território, dos saberes locais, das memórias, das culturas e dos modos de vida dos povos camponeses. Diante disso, o estudo tem como objetivo geral compreender a formação continuada de professores de Geografia na Educação do Campo no município de Barras/PI. De modo específico, busca identificar as políticas e ações municipais de formação continuada destinadas a esses docentes; analisar como essa formação se relaciona com as questões e contradições da Educação do Campo no município; compreender de que modo ela se articula com os saberes e territorialidades do campo; e examinar os sentidos atribuídos pelos professores à formação continuada em sua prática pedagógica. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de inspiração narrativa e (auto)biográfica, realizada com professores de Geografia que atuam em escolas do campo do município investigado. Como instrumento de produção de dados, utilizamos as Cartas Pedagógicas, por possibilitarem a expressão das experiências, das memórias, das percepções e dos desafios vividos pelos docentes em seu cotidiano profissional. A análise dos dados foi realizada com base na Análise de Conteúdo, conforme Bardin (2009). Os resultados evidenciam que a formação continuada, quando ofertada de forma descontextualizada e desvinculada das especificidades do campo, apresenta limites para responder às demandas concretas da docência em Geografia nas escolas rurais. As narrativas docentes revelam contradições relacionadas à precariedade das políticas públicas, às condições de trabalho, ao currículo urbanocêntrico, à ausência de materiais contextualizados e à fragilidade de ações formativas voltadas à realidade da população rural. Ao mesmo tempo, indicam a potência dos saberes da experiência, do vínculo com o território e da escuta das comunidades como elementos fundamentais para a construção de práticas pedagógicas mais comprometidas com a Educação do Campo. Concluímos que a formação continuada de professores de Geografia, para atender às necessidades das escolas do campo, precisa ser pensada em articulação com o território, com os sujeitos do campo e com um projeto de educação emancipador.