Durante as últimas décadas, a literatura sobre integridade pública e governança tem avançado significativamente, porém ainda persiste uma lacuna na compreensão dos obstáculos estruturais ao cumprimento da meta 16.6 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente no contexto de países em desenvolvimento como o Brasil. Apesar da existência de diagnósticos produzidos pelos Relatórios Luz da Sociedade Civil, observa-se limitada exploração analítica desses dados sob referenciais teóricos capazes de explicar as dinâmicas organizacionais que condicionam a implementação da integridade pública. Para explorar essa lacuna, o presente estudo tem como objetivo analisar os principais obstáculos ao avanço do Brasil na meta 16.6 dos ODS, a partir dos Relatórios Luz, interpretando-os sob a perspectiva das Escolas do Poder e Cultural de Mintzberg. A pesquisa fundamenta-se em abordagens de estratégia organizacional que consideram conflitos, valores e dinâmicas institucionais como elementos centrais da formulação e implementação de políticas públicas. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter descritivo-analítico, baseada em análise de conteúdo temática de documentos (Relatórios Luz, 2017–2025), com apoio do software Atlas.ti para codificação e interpretação dos dados. Espera-se identificar que os entraves à transparência, à accountability e à integridade pública não decorrem apenas de limitações técnicas, mas são fortemente influenciados por disputas de poder, resistências culturais e inércia organizacional. Como contribuição, o estudo busca ampliar a compreensão dos condicionantes político-culturais da governança pública e subsidiar a formulação de estratégias mais efetivas de integridade no setor público brasileiro.