A ampliação da presença religiosa na política brasileira tornou mais visível a atuação de grupos conservadores no interior das instituições representativas. Nesse contexto, analisa a atuação da Frente Parlamentar Evangélica na Câmara dos Deputados durante a 56ª Legislatura (2019–2022), com o objetivo de compreender como valores religiosos conservadores se articulam à prática parlamentar desse grupo, especialmente nos eixos de economia, trabalho e direitos humanos. Adota abordagem quantitativa e qualitativa, combinando levantamento das proposições legislativas subscritas por deputados vinculados à Frente, construção de banco de dados próprio e análise qualitativa de proposições transformadas em norma jurídica com participação relevante da Frente Parlamentar Evangélica. O levantamento identificou 1.903 registros de proposições no período, universo posteriormente reduzido a 139 matérias após a aplicação do filtro de transformação em norma jurídica e a exclusão de duplicidades. Os resultados indicam que a atuação da Frente não se restringe às pautas morais tradicionalmente associadas ao campo religioso, alcançando também agendas econômicas, sociais e institucionais mais amplas. Conclui-se que a Frente Parlamentar Evangélica se consolidou como ator suprapartidário relevante no Legislativo brasileiro, articulando referências religiosas, conservadorismo moral e incidência política em diferentes frentes da produção normativa.