Esta dissertação aborda as estratégias de atuação adotadas por lideranças feministas brasileiras em um contexto político conservador, compreendido entre os anos de 2016 e 2022. O objetivo da pesquisa é analisar duas dimensões centrais das estratégias dessas lideranças: a atuação fora das arenas institucionais e o fortalecimento das bases organizativas a partir da interseccionalidade como cixo estruturante das lutas feministas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, bascada em análise documental de um banco de entrevistas semiestruturadas. Foram analisadas cinco entrevistas com lideranças de organizações feministas de projeção nacional; Marcha Mundial das Mulheres, Articulação de Mulheres Brasileiras, Movimento de Mulheres Camponesas, SOS Corpo e União Brasileira de Mulheres, selecionadas pelo método bola de neve e pela recorrência de atuação em espaços de participação política. As entrevistas foram realizadas entre julho e setembro de 2022, no âmbito de pesquisa financiada pelo CNPq. Os resultados indicam que, diante do fechamento dos canais institucionais, os movimentos feministas responderam com a diversificação de seus repertórios de confronto, articulando cinco dimensões estratégicas: incidência política, inclusive pela via eleitoral; mobilização e formação de base; comunicação e disputa narrativa; construção de coalizões; e atuação territorial. A interseccionalidade operou não apenas como princípio declarado, mas como prática incorporada que orientou as escolhas estratégicas das lideranças, integrando gênero, raça, classe e sexualidade em seus projetos políticos. A pesquisa contribui academicamente ao aprofundar a compreensão dos repertórios de confronto dos movimentos feministas em cenários de retração democrática, ampliando o alcance da Teoria do Processo Político para o contexto brasileiro. Do ponto de vista social, evidencia o papel dos movimentos feministas na construção de demandas orientadas à superação das desigualdades estruturais.