O Brasil é um dos países com maior histórico de defesa da reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU), pautado pela busca de maior representatividade do órgão e pela pretensão a um assento permanente. Contudo, com o fim do segundo mandato do presidente Lula, em 2010, observou-se, nas gestões subsequentes, um declínio no protagonismo conferido a essa pauta na política externa brasileira, tendência particularmente acentuada durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022). Diante desse cenário, a presente pesquisa tem como objetivo analisar as estratégias diplomáticas adotadas no terceiro governo Lula que indicam a retomada do empenho brasileiro em prol da reforma do CSNU, bem como suas repercussões nas discussões internacionais sobre o tema. Para tanto, foi adotada a abordagem metodológica mista, de caráter quali-quantitativo, combinando a profundidade interpretativa da análise qualitativa de discursos e decisões políticas ao suporte de técnicas quantitativas de análise textual, aplicadas de forma complementar em diferentes etapas da investigação, de modo a possibilitar tanto a interpretação de conteúdo quanto o mapeamento sistemático de volumes expressivos de material textual ao longo do tempo. Os resultados evidenciam a retomada da centralidade do tema na agenda externa brasileira, expressa por meio de discursos presidenciais, do exercício de uma diplomacia presidencial mais ativa e da atuação do Brasil à frente de fóruns multilaterais, especialmente com a sua presidência no BRICS e no G20, espaços utilizados para reafirmar a defesa da reforma. Conclui-se que, embora ainda distante de uma resolução concreta no âmbito das Nações Unidas, a reforma do CSNU voltou a ocupar posição relevante na política externa brasileira a partir de 2023, reforçando a continuidade histórica do país como voz atuante na defesa de um sistema internacional mais representativo e legítimo.